sábado, 10 de novembro de 2007

A estória contada abaixo é uma leve ilustração da magnífica obra litúrgica da humanidade. Sou um admirador e inegável amante desse instrumento chamado órgão. Sem dúvida, ele ainda não foi superado por nenhum instrumento musical. Suas qualidades incomparáveis e incríveis o tornam um instrumento litúrgico por excelência. Infelizmente, e apesar de São Pio X, já ter escrito em seu MOTU PRÓPRIO sobre a precedência deste instrumento nas igrejas, parece-me que muitos dos responsáveis pela liturgia nas catedrais e noutras igrejas não querem valorizá-lo. Pois bem, espero que gostem da estorinha. Há muito tempo, no reino das Musas, os homens e os deuses brincavam como crianças felizes. O deus do vento ensinou os habitantes a assobiar. Pã ensinou-lhes a fazer flautas com tubos de cana de diferentes tamanhos. Aprenderam a controlar o sopro e assobiavam para não terem medo. Comunicavam com sons da boca, do pé, das mãos e faziam ritmos divertidos. Em poucos milénios descobriram muitos instrumentos musicais. Os instrumentos foram ganhando auto-estima e vaidade. Um dia reuniram-se para decidir quem seria o chefe. - Eu é que sou importante - disse a gaita. - Todos têm medo das serpentes, mas eu consigo dominá-las com o meu timbre. - Não, não! Eu sou ainda mais importante! - disse a trombeta. - Todo o mundo sabe como consegui derrubar a muralha de Jericó com a força do meu som. - Nem penses! - disse um dos outros instrumentos. - És demasiado barulhenta e perigosa. - Conhecem alguém mais importante do que eu? - perguntou a caixa de rufo. - Levo os homens para a guerra e eles andam ao meu toque, mesmo contra a sua vontade. - Não queremos guerra - disse a lira. - Eu é que sou importante. Sou conehcida em toda a Grécia e no Egipto. - Importante sou eu! - disse a flauta de Pã. Bem sabeis como eu sou de origem divina. Entretanto apareceu um rouxinol e disse: - Conhecem por acaso alguém que seja mais famoso no mundo inteiro do que eu?. Quem consegue imitar o meu canto? Os instrumentos não conseguiram chegar a uma conclusão sobre os critérios de importância. O moderador da reunião, que se chamava Ctesíbio disse: - Porque não criamos um instrumento que tenha em si a importância de todos? Um instrumento em que estejam representados o ar, a água, a terra e o fogo, a matéria e o espírito, a madeira e o metal. - Boa ideia. E como vais consegui-lo? - perguntaram. - Isso fica por minha conta - disse Ctesíbio. Anos mais tarde, Ctesíbio apresentou o seu órgão de tubos. Todos ficaram espantados com o timbre e intensidade do novo instrumento. Ao longo dos séculos, o órgão tornar-se-ia muito mais imponente e rico. Cumprindo a promessa de Ctesíbio, ainda hoje o órgão tem sons de trombeta, oboé, pífaro, viola, passarinhos e tambores. O órgão é um aerofone de teclas no qual o som é produzido pela passagem de ar comprimido pelos tubos. "Órgão de tubos" é um pleonasmo utilizado para distingui-lo claramente do órgão electrónico. O órgão é um instrumento complexo, e essa complexidade deve-se aos números de registros, teclas, teclados e tubos váriáveis. Podemos encontrar bons órgãos de tubos na região nordestina do Brasil, principalmente em Salvador na Bahia e em Recife pernambuco. No Ceará destaco o órgão da cidade de Barbalha na região do Cariri.

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